Nos primórdios da humanidade, o ser humano
dependia dos recursos que obtinha da natureza para sobreviver. Dentro desses
recursos, alguns deles tinham um fim curativo, que milhares de anos depois
continuam a ser a base para medicamentos produzidos hoje em dia.
Imagem 3 – Estrutura química da cloroquina
Apesar das dificuldades de aceder às florestas de forma
sustentável, esta mostra-se importante na possibilidade de gerar avanços na área
da farmacologia. Desta forma, é importante preservar a floresta, pois a falta
de cuidados não só terá impacto ambiental, como também na obtenção de novos
medicamentos.
Uma das principais fontes destes recursos são as
florestas, devido à sua rica biodiversidade, tanto de fauna como flora. Apesar
de já possuirmos bastante conhecimento sobre a biodiversidade que reside nesses
locais, ainda existem muitas espécies por descobrir, existindo portanto a
hipótese de desenvolvimento de novos medicamentos.
A Amazónia é um verdadeiro exemplo de como as
florestas nos podem fornecer uma grande variedade de matérias-primas.
Imagem 1 – Floresta Amazónica
Amazónia como fonte de matérias-primas para a produção de fármacos
Abrigando milhões de espécies diferentes e cerca
de um terço da biodiversidade global de plantas, o estudo desta floresta
tropical pode favorecer a descoberta de novas terapias para o ser humano. Nesta
floresta, encontramos espécies com as mais variadíssimas propriedades, sejam
elas, anti-inflamatórias, antibióticas, anticancerígenas, entre muitas outras.
Uma das substâncias que teve origem na floresta
amazónica é a cloroquina, que surge nos dias de hoje como potencial tratamento
para o combate ao Covid-19. Foi descoberta em 1934 por Hans Andersag, nos
laboratórios da Bayer e resulta de uma alteração à quinina, que é retirada da
casca das árvores Cinchona, de nome científico Cinchona
ledgeriana, localizadas na amazónia.
Imagem 2 - Cinchona ledgeriana
Inicialmente, a cloroquina era considerada
tóxica para o organismo humano, no entanto, após vários ensaios clínicos contra
a malária, concluiu-se que tinha um efeito terapêutico significativo como
fármaco anti-malárico. Em 1947, foi aprovada para usos clínicos no tratamento e
uso profiláctico contra a mesma, causada por protozoários parasitas do
género Plasmodium. Doença que, se não for tratada,
pode evoluir e levar à morte.
Assim, entre os anos 40 e 60 do século XX,
juntamente com o insecticida DDT, a cloroquina passa a ser a grande ferramenta
de combate à infeção.
Atualmente, o desenvolvimento de outros fármacos
anti-maláricos, tanto de origem sintética como naturais, resultou na diminuição
do uso farmacológico de quinina. Mesmo assim, continua a ser o fármaco mais
eficiente contra a malária.
Mais recentemente, em março de 2020, a
cloroquina começou a ser utilizada de forma experimental no tratamento de
infeções pelo Sars-CoV-2.
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